Espinhos

 

-Ayumi-

 

 

Prólogo

 

Noite escura, pelas grades que me prendem posso ver o céu pontilhado de estrelas. Durante toda a minha vida eu sonhei em estar lá fora, observando aquele céu tão bonito sem grades à minha frente, mas, como diz meu dono, sonhos são para os tolos, e para onde eu vou não há lugar para eles.

Nesta terra de ninguém nós temos uma lei: Nunca se arrepender dos crimes que cometeu. E todos, de toda e qualquer classe devem obediência a essa lei.

De certa modo, posso até me classificar como um ser de sorte.

Nasci em uma família pobre, nunca tive irmão, pois meu pai morrera muito cedo. Desde pequena eu me acostumei a ver minha mãe sair à noite, os belos cabelos azuis presos, a boca pintada e um vestido mais curto do que o de costume. E todo o dia de manhã ela trazia algumas moedas, que deixava sobre a mesa para quando o cobrador aparecesse.

Naquela época eu não sabia o que a minha mãe ia fazer sempre que saía daquele jeito pelas ruas. Hoje eu sei.

Houve uma vez em que voltando da feira ela me viu mexendo nas suas pinturas, experimentando cores e testando em meu próprio rosto infantil. Nunca esquecerei a fúria em seus olhos, ela dizia que uma criança como eu nunca poderia usar aquele tipo de coisa. Que ironia heim mãe? Hoje em dia a pintura é uma parte essencial do meu trabalho.

Depois que a minha mãe morreu, eu fui vendida para tentar quitar as dívidas da família.

Como escrava eu nunca fiz muito sucesso, as pessoas queriam me comprar, ah sim elas queriam, mas nunca uma pessoa comum teria dinheiro suficiente para me ter. Eu era, como dizia o meu dono, uma jóia de rara beleza.

E por ter um preço tão alto acabava sobrando, eu cheguei a ser a mais velha das escravas, todas eram menininhas de nove, dez anos, enquanto que eu tinha quatorze.

Irritado com a demora para me vender meu dono praticamente me deu em troca de míseras duas moedas de ouro, e olha que o meu preço normal era sete!

Meu novo dono era um cara feio que dói, corcunda e de cabelos ralos e cinzentos, ele trabalhava em uma casa de dança, como costumava chamar. Lá eu aprendi a dançar com as outras escravas, aprendi a preparar bebidas para os homens que vinham escondidos de suas esposas desfrutar de nossos serviços, e aprendi a limpar o local após a festa, uma vez que era nova demais para servir aos homens, como as outras falavam.

Eu estava me acostumando com aquilo, tinha comida, casa, e poderia até considerar algumas daquelas mulheres minhas amigas. Mas a felicidade dura pouco não é verdade?

Era noite de casa lotada, eu estava servindo bebidas no bar quando ele se aproximou. Alto,  cabelos negros, olhos profundos, que pareciam me despir a todo momento, disse que seu nome era Yomi e pediu a bebida mais cara da casa. Sete vezes.

“Senhor Yomi não!”

“Ah vamos menina, deixe de ser relutante, eu posso te mostrar coisas que você nunca sequer imaginou”

“Pare ou eu chamarei o segurança!”

“Então chama menina!”

Não consigo lembrar direito o que aconteceu, a pancada que levei na cabeça depois foi muito forte, mas eu me lembro muito bem de quando agarrei a faca usada para cortar limões e fiz um senhor corte que ia de um olho ao outro do senhor Yomi.

Acordei no dia seguinte com uma baita dor de cabeça, logo percebi que não estava no meu quarto minúsculo nos fundos daquela espelunca, e sim em uma cela da prisão, vendo o sol nascer quadrado.

Acontece que o tal senhor Yomi era um dos subordinados de um poderoso ladrão, que por mero acaso era um dos melhores amigos do filho do rei. Quem diria que eu estaria me envolvendo com a parte mais pobre da realeza heim mãe?

Não houve julgamento para o meu caso, eles me condenaram direto à guilhotina.

No dia em questão os guardas amarraram um saco na minha cabeça e me guiaram para cima do que parecia um palanque, eu podia ouvir um pequeno aglomerado de gente gritando “Morre!”. Eles me colocaram de joelhos, a cabeça sobre a madeira, e o barulho no vento passando pela lâmina em meus ouvidos.

Até que eu ouvi uma voz.

“Espere!”

Lembro que tentei olhar para frente, sem lembrar do saco em minha cabeça.

“Eu pago em ouro pelos crimes dessa menina”

Meia hora depois já estava sendo encaminhada para uma casa de banho. O que faz o poder do dinheiro não?

O homem que havia me comprado se chamava Kazuma Kuwabara, e fazia parte da guarda real. Eu até estranhei quando ele me disse aquilo, o que um homem daqueles fazia na guarda real? Lustrava sapatos? Mas depois de um tempo eu percebi que ele era um homem muito justo e bondoso.

Ele havia me comprado porque em alguns dias haveria uma festa no palácio, uma festa comemorando o aniversário de um dos amigos do filho do rei, e eu seria o presente.

Então eles me banharam e me vestiram, me cobriram de mimos e jóias, contornaram meus olhos rosados com um lápis preto e minha boca de vermelho-sangue, prenderam meus cabelos azuis claros em um rabo alto, adornando minha cabeça com ouro. Encheram meus punhos e tornozelos de pulseiras barulhentas. E por fim me colocaram diante de um espelho cujo moldura brilhava a prata.

E adivinhe, quem vi refletida naquele espelho cheia de ouro e maquiagem, não fui eu. Foi você mãe.

 

Continua...

 

Não se preocupem ô queridos leitores, a fic não terá mais de dois capítulos.

^_________^-

Querida, amada, meiga, fofa do meu heart! Essa fic é tua AngelloreXx, espero que goste!

\o/  /o/  \o\  /o\  zoz

 

Bjinhusss

 

 

 Capítulo 01

 

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