Sacrifício por quem ama

 

-Ayumi-

 

  

- I -

 

A situação estava ficando difícil, Kurama e Hiei estavam um de costas para o outro tentando acabar com os youkais que os cercavam, a sala onde estavam não era lá muito grande e isso atrapalhava um pouco.

-         Hiei, você acha que conseguiria? – perguntou Kurama cortando alguns youkais ao meio com seu chicote.

-         Com certeza, mas não aqui de dentro, a montanha pode acabar desmoronando. – respondeu Hiei entendendo a idéia do ruivo

-         Então vamos tirar todos daqui.

Hiei acenou que concordava. Logo os dois já estavam abrindo caminho entre os youkais para chegar ao quarto dos outros.

Era difícil chegar a qualquer lugar, os monstros pareciam brotar do nada. Ao longe dava pra sentir a energia de Kuwabara.

-         Você dá conta? – perguntou Kurama hesitando em seguir a energia do amigo

-         Mas é claro que sim, está me confundindo com algum imbecil? – respondeu o baixinho incendiando a espada com chamas negras e azuladas.

Kurama sorriu para Hiei antes de abrir passagem para o quarto onde estava Kuwabara.

Lá de dentro dava para ouvir alguns gritos femininos. Kurama tentou abrir a porta, mas ela estava emperrada. Irritado com aquele empecilho ele chutou, a porta caiu no chão com força e fazendo muito barulho.

Dentro do aposento Kuwabara estava sozinho lutando contra um bando de youkais que pareciam vir de uma porta ao fundo. As garotas todas estavam no canto perto da porta.

Todas olharam com alívio para Kurama quando ele abriu a porta.

O ruivo atravessou o quarto em direção a Kuwabara, matando alguns que se colocaram em seu caminho.

-         Finalmente, achei que tivesse que acabar com todos sozinho! – exclamou ele cortando dois youkais de uma vez e olhando para Kurama.

-         Kuwabara vem comigo, temos que tirar todos do prédio agora. – disse Kurama com urgência

-         Certo. – Kuwabara cortou mais alguns que estavam perto da porta e chutou os cadáveres para impedir a passagem.

-         Vocês estão bem? – perguntou Kurama se aproximando das garotas pela primeira vez

-         Estamos todas bem, só a Yukina que torceu o tornozelo. – respondeu Shizuka

-         Eu levo ela. – disse Kuwabara pegando Yukina no colo e corando um pouco.

-         Muito obrigada Kazuma. – agradeceu a garota se agarrando ao pescoço dele.

-         Me sigam. – pediu Kurama saindo do quarto.

Ele as guiou escada abaixo destruindo todos que se colocavam no caminho, apesar de serem youkais fracos da classe F, eram muitos, e parecia que tinha muito mais da onde aqueles vieram.

No andar de baixo Kurama pôde sentir a energia de Yusuke um pouco mais para o oeste, mas não dava tempo de alerta-lo para sair do prédio, pediu mentalmente que Hiei o avisasse.

O que antes era o hall de uma pousada típica das montanhas agora estava totalmente destruída e cheirando a sangue. Um grupo muito mais numeroso de youkais se encontrava naquele lugar pronto para matar todos que tentassem passar.

-         Kuwabara leve as garotas para fora! – gritou Kurama pulando pelo corrimão da escada direto para o chão

-         Mas e você Kurama? – perguntou o garoto alto passando à frente do grupo com Yukina no colo.

-         Eu cuido deles, vai!

Kuwabara acenou que concordava e passou pelo canto da sala sem nem ousar virar para trás e ver a situação do amigo.

Ao chegar à porta ele ouviu o barulho de crânio esmagado, se virou depressa para ver se alguma das garotas havia se machucado, mas só o que viu foi sua irmã terminando de bater em um youkai metido a besta.

Sorrindo ele empurrou a porta e saiu. Depois de alcançar uma distância segura, ele colocou Yukina no chão com todo o cuidado e olhou para as outras.

-         Está todo mundo bem?

-         Sim, a Shizuka nos protegeu. – disse Keiko sorrindo para a amiga

-         Eu estou preocupada com os outros. – disse Botan aflita olhando para a pousada de madeira.

-         É, fiquem aqui eu vou lá ajudar o Kurama. – disse Kuwabara se precipitando para o prédio.

Kuwabara já estava perto da pousada quando Hiei pulou pela janela no segundo andar, jogando vidro pra tudo que era lado e caindo suavemente no chão, bem na frente de Kuwabara.

-         Já saíram todos? Onde está o Kurama? – perguntou ele se endireitando

-         Está lá dentro acabando com alguns youkais no hall, eu vou lá ajuda-lo. – respondeu Kuwabara esquecendo a antiga inimizade com o baixinho

-         Esquece não dá tempo. – disse Hiei visivelmente transtornado

-         Como assim não dá tempo? Se nós o deixarmos lá ele vai morrer!

Hiei pensava depressa, não dava tempo de matar todos aquele youkais, Kurama sabia disso, tanto é que fora idéia dele destruir o prédio de uma vez.

-         Droga. – sussurrou sentindo que não conseguiria pensar numa solução a tempo, por que diabos Kurama tinha que ter dado uma de herói?

Nessa hora um chicote verde cruzou a parede e se enrolou numa viga perto da porta, lá de dentro Kurama já não conseguia agüentar lutar contra tantos youkais. Ele puxou o chicote, e junto com ele a viga. Uma parte do teto oscilou por um momento, dando tempo de Kurama correr para fora antes de desabar destruindo a entrada para o prédio.

Ofegando Kurama caiu na grama em frente à casa.

-         Kurama! – gritou Kuwabara indo na direção do amigo que começava a se levantar.

-         Você está bem? – perguntou Hiei olhando para ele e vendo seu sangue escorrer pela perna

-         Estou, Hiei já está tudo pronto? – perguntou com urgência

-         Já. – confirmou Hiei segurando a ponta da atadura que cobria se braço.

-         Kurama! – Botan veio correndo na direção deles

-         Botan! Você não devia estar aqui é muito perigoso! – exclamou Kuwabara

Botan não deu bola e continuou olhando para Kurama preocupada.

-         Kurama, o Yusuke ainda não saiu. – disse ela urgente

Kurama fez uma careta. Tinha se esquecido completamente de Yusuke, e Hiei não tinha avisado ele.

-         Droga. – Kurama se virou para a casa com a entrada destruída – Hiei, conta até quinze, e depois queime tudo, não se importe comigo. – disse ele de costas antes de correr até uma janela e pular para dentro da casa.

-         Porcaria! – exclamou Hiei olhando a janela quebrada pela qual Kurama entrara na casa. – Se algum dia eu encontrar o desgraçado que fez isso, eu juro que mato.

-         Botan, você está sangrando? – perguntou Kuwabara olhando a amiga que estava com um corte feio no braço.

-         Não é nada. – se apressou ela em dizer

-         Não é nada, vem cá. – ele a pegou no colo e levou-a para perto das outras – Cuide do resto Hiei.

-         Ta. – confirmou ele ainda olhando para a janela pela qual vira o amigo entrar.

Com o desabamento da entrada Kurama tinha conseguido matar um grande grupo de youkais, mas logo muitos mais apareceram. Ele estava tentando chegar a uma sala ao lado da onde vinha a energia de Yusuke.

De repente uma bola de energia azulada passou por cima do seu ombro esquerdo errando-o por pouco, mas abrindo um buraco enorme em direção a Yusuke. Kurama correu por ele, suas esperanças de encontrar o amigo vivo aumentando sem limites.

Ao passar pelo buraco encontrou Yusuke caído no chão, um círculo de youkais estava em volta dele prontos para atacar.

Kurama destruiu todos com um único movimento. Yusuke levantou a cabeça e sorriu aliviado ao ver o ruivo se aproximar.

-         Você consegue se levantar? – perguntou Kurama estendendo a mão para ele

-         Claro. – respondeu o outro usando a mão do amigo para se impulsionar para cima

-         Aqui não era o quarto dos donos? – perguntou Kurama se detendo um minuto para olhar em volta

-         Era, eu os ajudei a escaparem pela janela, mas não consegui saí por causa daqueles cretinos.

-         Certo. Vem! – disse Kurama saindo pelo buraco na parede.

-         Onde está todo mundo? – perguntou Yusuke seguindo o amigo

-         Estão lá fora, Hiei já vai incendiar o lugar temos que sair rápido. – disse Kurama se lembrando que faltava pouco tempo para eles saírem. – Vem depressa! – pediu ele pegando a mão de Yusuke e o puxando para fora.

Eles pararam perto da entrada destruída, praguejando mentalmente Kurama lançou o chicote contra a parede, ela não foi destruída, mas ficou muito menos resistente. Sem pensar duas vezes o ruivo se jogou contra a parede derrubando-a.

-         Quinze. – Hiei terminou de contar e olhou triste para o prédio, ainda sentindo a energia de Kurama e de Yusuke dentro da pousada.

Foi quando viu Kurama derrubar uma parede ao longe e sair correndo arrastando Yusuke pela mão. Sorrindo o pequeno youkai desamarrou as ataduras com impaciência vendo que alguns youkais estavam atrás dos dois.

-         Chamas negras mortais! – gritou ele lançando o dragão negro de fogo contra a pousada. – O que vocês estão esperando? – sussurrou ao perceber que os dois talvez não saíssem do alcance das chamas a tempo.

-         Droga! – sussurrou Kurama vendo o dragão negro se aproximar e passar por ele devorando a casa atrás de si. Yusuke não estava correndo muito rápido, e ao olhar para o amigo percebeu que ele tinha um corte fundo na coxa.

-         Me deixe aqui Kurama, você ainda pode se salvar. – pediu Yusuke perdendo as esperanças.

-         Deixe de heroísmo Yusuke, nós vamos sair daqui juntos. – exclamou Kurama puxando Yusuke com mais força.

Atrás deles o dragão se enroscou em volta da pousada e devorou-a com uma só mordida, a casa explodiu. Com certeza o gás existente por todo o prédio tinha ajudado fazendo com que a montanha atrás do prédio desmoronasse junto com a casa.

O fogo vinha mais rápido em direção aos dois, Kurama olhou para trás a tempo de perceber que não tinha jeito de escapar.

Kurama não hesitou, ele soltou seu chicote e puxou Yusuke para um abraço, o colocando de frente para ele e ficando de costas para o fogo.

Yusuke estava pasmo com a atitude rápida do amigo, ele via as chamas lamberem as costas de Kurama enquanto ele o apertava mais forte contra o seu corpo.

Não demorou para que a montanha inteira se desfizesse, as pedras rolavam soltas pelo declive em direção à pousada. Algumas, rápidas demais para parar, passavam por cima da pousada e caiam ameaçadoramente perto do grupo que observava a luta de Kurama para proteger o amigo.

Hiei estava praguejando baixinho apertando os dedos contra a palma da mão. Botan estava chorando silenciosamente ao lado das outras garotas, e Kuwabara estava parado sem reação vendo aquela cena.

Uma pedra caiu em cima de Kurama o derrubando, ele e Yusuke caíram na grama queimada, Kurama ainda estava sobre Yusuke, e se ergueu um pouco.

-         Kurama... – sussurrou Yusuke vendo o amigo fazer uma careta de dor quando outra pedra caiu em cima da outra o jogando para baixo. – Por que está fazendo isso?

Kurama voltou a se erguer sobre o amigo, suas costas doíam e ele estava a ponto de se entregar, mas mesmo assim ele riu. Ria da cara preocupada que Yusuke estava fazendo, como se a resposta para aquela pergunta fosse a coisa mais óbvia que existia.

-         Porque é isso que os amigos fazem... – disse ele ainda sorrindo – E além do mais, ela ficaria muito triste se você morresse.

Uma terceira pedra caiu sobre as outras, Kurama não conseguiu resistir a ela, seu rosto se contraiu de dor antes que caísse por cima de Yusuke.

-         Kurama! – gritou Botan se levantando e correndo na direção dele e de Yusuke que estavam embaixo das pedras, as lágrimas corriam soltas pelo seu rosto.

-         Não Botan! – exclamou Kuwabara segurando a amiga pela cintura impedindo ela de chegar perto do fogo – Não adianta mais.

-         Idiota. Eu disse que a montanha iria desmoronar. – exclamou Hiei com raiva

-         Que coisa horrível. – disse Keiko chorando abraçada em Yukina

Debaixo do corpo imóvel de Kurama, Yusuke não tinha como sair, também não dava pra usar o Leigan se não iria destruir o corpo do amigo. Frustrado, Yusuke tentou fazer alguma coisa, qualquer coisa servia, ainda dava tempo dele salvar a vida de Kurama.

Ele tentou olhar para os lados à procura de ajuda, o fogo em volta deles parecia diminuir, ele avistou Kuwabara ao longe tentando impedir Botan de se aproximar. Ela estava tentando desesperadamente lutar contra Kuwabara para se libertar e ir até Kurama. Yusuke sentiu uma pontada de remorso, se ele tivesse saído da casa antes, Kurama não teria voltado para busca-lo e aquilo não teria acontecido.

-         Kuwabara! – gritou Yusuke sentindo as lágrimas quentes correndo pelo seu rosto

-         Urameshi? – Kuwabara parou um pouco de brigar com Botan e correu para os dois.

O fogo já havia a muito se dissipado, e agora queimava a pousada devagar. Kuwabara se aproximou do local de onde ouvira a voz do amigo, havia muitas pedras em cima dos dois corpos, era impressionante como Kurama tinha agüentado tudo aquilo.

-         Kuwabara tira a gente daqui! – gritou Yusuke de novo.

-         Urameshi! Onde vocês estão? – perguntou Kuwabara reunindo sua energia para que sua espada dimensional aparecesse.

-         Droga... – Yusuke olhou para os lados procurando alguma coisa para chamar atenção de Kuwabara. Então ele viu uma ponta do chicote de rosas que Kurama tinha jogado fora quando o abraçou. – Perfeito.

Yusuke pegou a ponta do chicote e puxou, mas em sua mão ele voltou a ser uma rosa vermelha, e ela estava toda chamuscada. Com um puxão Yusuke tirou a rosa debaixo das pedras e retirou desajeitadamente o braço de baixo de Kurama e o estendeu para cima, colocando a rosa em uma abertura entre as rochas.

Do outro lado, Hiei já estava parado ao lado de Kuwabara, ele havia retirado a faixa que cobria seu jagan e olhava pelas rochas.

Yusuke não demorou a sentir a rosa sendo puxada e as pedras acima de Kurama serem cortadas aliviando o peso sobre Yusuke.

Ele pôde ver o céu estrelado da noite quando Kuwabara retirou uma das pedras com a ajuda de Hiei. Em pouco tempo os dois tiraram todas de perto dos dois.

Ao verem as costas de Kurama ambos fizeram uma cara chocada. Yusuke segurou as costas do amigo para ergue-lo e sentiu o sangue dele escorrer entre seus dedos, rezando para que ainda houvesse tempo para ajuda-lo, Yusuke se ergueu e puxou o corpo de Kurama junto com ele.

Hiei foi o primeiro a se recuperar da visão, ele passou pelos amigos e foi até Botan que se aproximava do grupo, seu rosto estava manchado de lágrimas e ela caminhava incerta, com medo do que pudesse ter acontecido. Ele a alcançou e parou na frente dela impedindo a sua passagem.

-         Sai da minha frente Hiei. – pediu ela com a voz moderada, mas levemente tremida.

-         Não, você não vai querer ver. – disse ele olhando para ela

-         SAI HIEI! – gritou ela finalmente mostrando seu desespero e passando por ele

-         Não! Eu já disse que você não vai querer ver! – exclamou ele segurando os dois pulsos dela impedindo que avançasse.

-         Me solta! Eu quero ver ele! – ela tentou se soltar, mas Hiei era mais forte e ela acabou caindo de joelhos na grama queimada.

-         Você não vai querer ver. – sussurrou ele observando a garota chorar ainda segurando seus pulsos.

Kuwabara segurou o corpo de Kurama em seus braços, algumas gotas de sangue escorriam pelas costas do ruivo e batiam na grama seca.

-         Temos que tira-lo daqui agora. – disse ele tentando se controlar ao sentir a pele do amigo contra seus braços.

-         Leva ele pro meu carro. É mais rápido. – disse Shizuka, ela corria para ele e enfiou as chaves na mão trêmula de Yusuke.

-         Certo. – concordou Yusuke indo direto pra o carro, ele já nem sentia a dor do ferimento na perna.

-         E-eu vou com vocês! – exclamou Botan se levantando – Me solta Hiei.

Ainda relutante o demônio soltou os pulsos da garota que correu para Kuwabara.

-         Eu sigo vocês. – disse ele simplesmente

-         Vocês vão ficar bem? – perguntou Kuwabara vendo Keiko ajudar Yukina a se aproximar do grupo.

-         Vamos sim, vai logo! – disse Shizuka com urgência.

Yusuke atravessou o pátio em frente à antiga pousada e parou o carro na frente de Kuwabara.

-         Precisamos cobrir as costas dele com alguma coisa ou pode infeccionar. – disse ele abrindo a porta de trás para Botan entrar.

-         Toma usa isso. – a garota tirou o roupão e entregou a Kuwabara

-         Ótimo. Segura ele pra mim. – pediu ele colocando Kurama de pé

Botan sustentou o corpo de Kurama segurando seus braços, a roupa dele estava quase totalmente queimada, tirando a parte da frente que parecia apenas um pouco rasgada. Botan perdeu um pouco do equilíbrio por causa do peso e segurou nos lados do corpo dele para segura-lo. Foi quando sentiu o sangue quente escorrer, ela não tinha visto o estado das costas dele, mas o da pele que ela tocava era deplorável.

Kuwabara rasgou a costura do roupão pequeno de Botan e cobriu as costas dilaceradas do amigo.

-         Entra. – ordenou ele para Botan segurando o corpo inerte de Kurama

Botan obedeceu, ela se sentou no fundo do banco e Kuwabara lhe passou o corpo do amigo. Botan o ajeitou o melhor que pôde sobre seu colo. O sangue dele manchava o roupão branco, Botan se perguntava da onde saía tanto sangue.

Yusuke guiava o carro em alta velocidade pela estrada, maldita hora em que tinham escolhido logo uma pousada na serra longe de tudo. Graças a Kami não tinha mais nenhum hóspede aquele fim de semana.

Kuwabara olhava os braços no banco do passageiro, tudo tinha acontecido muito rápido. Aonde tinha ido parar aquela lei que proibia youkais do Makai de atacar humanos? Se Hiei não tivesse aparecido, nem queria pensar. Ele olhou pela janela, nas árvores escuras ele podia ver um vulto negro seguindo rápido a direção do carro.

Yusuke olhou pelo retrovisor, Botan ainda estava segurando Kurama protetoramente contra seu corpo, manchando seu pijama de vermelho.

Nenhum dos dois conseguiam esquecer a visão das costas do amigo. Ela vinha em flaches causando arrepios involuntários em ambos.

A carne dilacerada pendendo pelos lados, deixando à mostra partes dos músculos do rapaz, o sangue fluindo sem parar para os tecidos rasgados, a carne viva exposta ao fogo, um pequeno pedaço do osso tinha sido descoberta. Juntando ao cabelo queimado quase indistinguível. Era uma visão horrível.

Yusuke não conseguia esquecer o sorriso do amigo, mesmo com toda aquela dor ele fora capaz de rir. Porcaria, por quê Kurama não o deixara para trás? Ao menos não teria que viver tendo visto o tecido muscular jogado pelas costas dele em tiras.

Já não era a primeira vez que Botan tinha visto Kurama perto da morte, mas ao menos da outra vez ela pôde ajuda-lo, mas dessa vez não dava, não depois dela ter sido expulsa Reikai.

-         Agüenta meu amor. – pediu ela beijando a testa dele com carinho

O hospital não estava longe, Yusuke podia ver as luzes do prédio branco.

Do alto de uma árvore um pequeno vulto observava três mulheres se afastarem em direção à estrada.

    - Eu disse que seria mais forte do que você. – sussurrou ele contra o vento.

 

 

 Capítulo 02

 

 

 

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