A Serenata
-June Briefs-
Hiei: Isso não vai dar certo.
Kuwabara: Quer parar de encher, tampinha?
Hiei: Mas vai ser um mico fenomenal!
Kurama: Do jeito que vocês estão me “incentivando” é melhor desistir.
Yusuke: Agora já foi, mané. Ajoelhou, tem que rezar. Aqui está tudo o que combinamos. O gravador, as flores, as luzes.
Hiei: Por que eu vim com esses idiotas?
Kuwabara: Porque você adora esses idiotas!
Kurama: Ainda acho que vou passar vergonha!
Yusuke: Não tem mais como voltar atrás.
Tudo começou no dia anterior. Kurama estava em casa quando ela foi invadida pelos três amigos, Hiei a contragosto, claro. Eles tinham uma idéia fenomenal para ajudá-lo a conquistar Botan. Há algum tempo haviam percebido que os olhares do amigo para ela não tinham nada de fraternos. Apesar das negativas, Yusuke e Kuwabara faziam de tudo para incentivá-lo a se declarar, o que não adiantava, pois Kurama achava que Botan gostava de Koenma. Até que naquela tarde os dois tiveram a idéia da serenata.
Kurama: Não é por nada não, mas isso de serenata não é meio ultrapassado?
Hiei: É ultrapassado desde antes do nascimento do avô do rei Enma.
Yusuke: E você é dessa época, baixinho? Kurama, pode ser meio ridículo, mas por isso mesmo vai funcionar. Garotas são românticas. Basta você cantar debaixo da janela dela pra receber os agradecimentos...
Hiei: Ou um balde de água fervente.
Kuwabara: Ele é tão animador!
Kurama: Tem um problema nisso tudo. Eu não canto.
Kuwabara: Não tem problema. Você tem uma boa voz, é só decorar uma música e pronto.
Kurama: Eu tenho vergonha.
Yusuke: Não acredito. Você com vergonha?
Kurama: É sim. Você iria à meia-noite na janela de uma garota cantar bem alto sem mais nem menos?
Yusuke: É, vendo desse modo é ridículo mesmo, mas nós estamos aqui pra te ajudar e já bolei o esquema.
E assim Kurama deixou-se levar pelos amigos. Hiei os acompanhou apenas para ver tudo dar errado e tripudiar em cima deles, mas os outros tinham certeza de que daria certo.
Yusuke: Vou explicar como vai ser, Kurama. Você joga esse tijolo na janela dela, quando ela abrir...
Hiei: Cairá morta pela tijolada na testa.
Yusuke: Hiei, você é tão encorajador! Kurama, preste atenção. Quando ela aparecer você dá o melhor dos seus sorrisos.
Hiei: Que dificilmente ela enxergará nesse breu.
Kuwabara: Foi pra isso que eu trouxe essa lanterna enorme.
Hiei: E vão perturbar a vizinhança. Não pensaram nisso?
Yusuke: Não vai durar muito tempo, só o suficiente para encantá-la.
Hiei: Ou horrorizá-la.
Kurama: Então não vou precisar cantar?
Yusuke: Nada. Eu peguei uns CDs maneiros e você só precisa sorrir pra ela. O Kuwabara te ilumina com a lanterna e o Hiei... O Hiei não faz nada. Fica ali no canto quieto com a cara de bunda de sempre.
Hiei: Humpf.
Kurama: Estou quase concordando com o Hiei. Isso não vai dar certo.
Yusuke: Então vamos embora e deixar o tampinha chupetudo catar a mina!
Kurama: Ok. Vamos começar logo com isso.
Os três se esconderam atrás de umas moitas e esperaram enquanto Kurama jogava uma pequena pedra na janela de Botan. Precisou jogar mais duas vezes até ela abrir e dar de cara com ele olhando pra cima.
Botan: Kurama? Sabe que horas são?
Kurama: É que preciso te dizer uma coisa...
Kuwabara: Liga o som, Yusuke.
E assim, a “melodiosa” música tomou conta da rua.
“Vou mandando um beijinho pra filhinha e pra vovó
Só não posso esquecer da minha egüinha Pocotó”
Botan: Credo! Que diabo é isso?
Kurama: Ta doido, Yusuke?
Yusuke: Ih. Foi mal. Era outro CD. Põe esse aqui, Kazuma.
“Hoje é festa lá no meu apê
Pode aparecer
Vai rolar bundalelê”
Botan: KURAMA! Os vizinhos vão chamar a polícia, isso se eu não o fizer antes!
Kurama: Yusuke, que tipo de música é essa?
Hiei: Ah ah. Eu sabia que isso seria um fracasso!
Yusuke: Agora eu acerto.
“Perguntaram pra mim
Se ainda gosto dela
Respondi tenho ódio, e morro
De amor por ela.”
Botan: Kurama, você bebeu? Sobe logo antes que os vizinhos chamem a polícia!
Kuwabara: Ta vendo, idiota? Essas músicas toscas não vão ajudá-lo em nada!
Yusuke: Ela o convidou para entrar. De qualquer modo deu certo.
Hiei: Isso se ele não sair voando de lá depois de levar um tiro ou uma panela na cabeça.
Na casa de Botan...
Botan: Vai me explicar ou não que fuzuê foi esse?
Kurama: Nada não, Botan. Melhor esquecer. To indo e desculpe o incômodo.
Botan: Agora você vai contar tudo!
Kurama: É que os rapazes acharam que seria bom se eu fizesse uma serenata pra você, mas como eu não queria cantar Yusuke trouxe uns CDs.
Botan: Mas que CDs, heim?
Kurama: Desculpe, foi idiotice deles e minha também por ter topado essa palhaçada.
Botan: Você não explicou por que fez isso.
Kurama: É que... Queria que você soubesse o quanto significa pra mim e não sabia como expressar isso em palavras.
Botan: Então era só isso?
Do lado de fora...
Hiei: Vamos embora?
Kuwabara: Agora eu quero esperar pra saber o resultado.
Yusuke: Será que ela ta matando ele?
Kuwabara: E quem sabe depois ela vem matar a gente também.
Hiei: Um grito agudo dela é suficiente para matar um ser vivo.
A porta se abre e os dois aparecem abraçadinhos.
Kurama: Rapazes, podem aparecer.
Yusuke: E aí, deu certo?
Botan: Só podia ser você pra ter uma idéia dessas!
Kuwabara: Se os CDs não tivessem sido trocados tinha dado certo.
Kurama: Mas deu certo! Botan disse que também não sabia como dizer o quanto gosta de mim.
Hiei: Tudo resolvido? Fui. E não me chamem pra outra inutilidade como essa. Aliás, nunca me chamem!
Yusuke: Tampinha sem graça. Mas que bom! Deu tudo certo, Kurama.
Kurama: Yusuke, de quem foi a idéia de trazer esses CDs? Você não falou que eram CDs de música romântica italiana?
Yusuke: Ia ser sim, mas depois achei que era um troço meio cafona e essas musicas populares iam chamar mais a atenção dela. E não é que deu certo?
Botan: Me lembre de nunca deixar vocês organizarem a parte sonora de uma festa!
Fim
Nota: Tentativa mal-feita de humor para Madam Spooky. Acho que esse ano vou ficar devendo presentes decentes a todos. Seja como for, parabéns, Spooky.
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