Te encontrei
-Ayumi-
Capítulo 1 – Festa particular
Botan se olhou no espelho, alisando a blusa lilás. Estava nervosa com a expectativa da festa, Yusuke sempre lhe enfiava naquelas encrencas, por que diabos ela tinha que ter perdido a maldita aposta com ele? Ah se não tivesse apostado que a seleção brasileira iria perder naqueles amistosos. Porcaria de aposta, agora ele a obrigara a ir à festa de aniversário de seu amigo que era podre de rico, onde só haveria velhos chatos. Ah se ao menos Koenma não tivesse ido viajar naquele fim de semana...
Seu namorado, Koenma, sempre inventava essas viagens de repente, Botan estava começando a ficar irritada com isso, até parecia que ele a estava traindo, mas não, conhecia Koenma, ele nunca faria nada do tipo.
Se olhou de novo, até que estava bonita, estava rezando para não dar vexame naquela festa, apesar de Yusuke ter-lhe dito que seu amigo era muito gentil e com certeza os salvaria dos chatos, qual era mesmo o nome dele? Suuichi certo? Não sentia muita confiança vinda de um cara chamado Suuichi, nome estranho aquele...
- Ei Botan o que foi? Morreu aí dentro? – gritou a voz de Yusuke através da porta.
“Ê primo chato esse meu...” pensou aborrecida enquanto se arrastava até a porta.
- O que você quer? Achei que a gente só fosse daqui a meia hora. – disse ela encarando o garoto que entrava dentro do quarto
- Eu só vim passar o tempo, não tem nada pra fazer, e se eu ficar perto da sua mãe mais um pouco ela vai acabar me ensinando a fazer biscoitos.
- Pelo menos miojo não seria a sua base alimentar. – contestou Botan voltando a fechar a porta enquanto o primo se sentava na cama
- Pra sua informação miojo é altamente nutritivo. – disse ele se soltando em cima da cama
- Ai por favor, Yusuke, não desarruma a minha cama. – pediu ela impaciente voltando a se mirar no espelho
- Vai passar o dia inteiro na frente desse espelho menina?
- Não né, daqui a pouco vou ser obrigada a sair com você. – disse Botan desanimada se virando e checando suas costas no espelho
- Você fala como se fosse ruim, faz dias que você não sai dessa casa, aquele seu namorado está te deixando louca! – exclamou Yusuke sério
Ele não gostava nem um pouco do namorado da prima, Koenma vivia impedindo Botan de sair para festa à noite, restaurantes, e essas coisas, dizia que tinha que cuidar do que era dele. Aham, conta outra, Yusuke sabia muito bem que Koenma fazia isso para manter Botan bem longe da sua outra namorada, Ayame, que coincidentemente era colega de Botan e trabalhava no mesmo prédio que Yusuke. Aquele cafajeste, e por mais que tentasse convencer a prima, ela não acreditava, continuava dizendo que Koenma era o homem mais perfeito do mundo.
Botan olhou para a expressão séria no rosto de Yusuke, raramente o via assim, só quando a seleção do Japão jogou contra a brasileira, e quando ele brigou com a namorada, Keiko.
- Por que está me olhando assim? Eu heim...
- Botan, você tem que tomar cuidado com o Koenma pode acabar se machucando. – avisou o primo se levantando da cama e dando um passo em direção à prima.
- Machucando como? O Koenma não sabe nem matar uma barata! Acho que a falta da Keiko está afetando seu raciocínio priminho.
- Não, não é nada disso! – exclamou Yusuke, Botan tinha tocado no seu ponto sensível. Keiko. Como ele podia ter uma prima tão estúpida e ao mesmo tempo tão malvada?
Botan não lhe deu atenção, foi até a penteadeira e pegou uma pulseira que Koenma havia lhe dado, Botan achava que lhe trazia sorte já que todas as coisas boas aconteciam quando ela usava a pulseira.
- Já está pronta? – perguntou Yusuke impaciente, não queria que Botan continuasse com o nome Keiko na cabeça.
A garota acenou que sim sorrindo. Os dois saíram do quarto em direção à garagem onde pegariam o carro de Yusuke.
- Quer parar de alisar essa saia? Por Kami! – exclamou Yusuke vendo a prima com as mãos na saia branca pela décima quinta vez desde que entraram no carro.
- Não consigo Yusuke! Eu estou nervosa droga! E se eu der vexame na frente de todas aquelas pessoas heim?
- Você sempre dá vexame por algum motivo, priminha. Ei, essas não são as botas que você vive reclamando que te apertam?
- São sim, eu não queria usar, mas era a única coisa que combinava...
Yusuke revirou os olhos exasperado, mulheres e sua mania de perfeição.
- Olha aqui, o pior que pode te acontecer é ficar sem roupa no meio da festa. – disse Yusuke tranqüilamente, sem perceber o rosto da prima corar furiosamente.
- Yusuke! – reprovou Botan
- Que foi? Mas não é verdade?
Yusuke dirigia rápido pelas ruas vazias, afinal era domingo e não tinha nada além de uns molequinhos pedalando. Ele fez a curva e virou em um bairro nobre, cheio de casarões.
- É aqui. – disse ele animado imaginando a quantidade de comida que teria dentro da casa.
- A-aqui?!? – Botan olhou espantada para a grande casa branca, era enorme. – Yusuke, por que não me disse que a casa dele era tão grande? Eu teria vestido outra coisa! – sussurrou com urgência
- Ah, que mania de se vestir, eu heim... Afinal do que você tem medo? Que descubram as suas meias dos Telettubies? – perguntou ele rindo
- Cala a boca! – disse ela dando um tapa na cabeça do primo.
Yusuke esfregou a cabeça rindo, estacionou em frente a casa e saiu. Botan fez o mesmo, ainda tentando alisar a roupa, ela deu a volta no carro e atravessou com Yusuke os imensos jardins.
- Yusuke isso aqui não é um jardim, é uma floresta! - sussurrou Botan assustada se agarrando ao braço do primo.
- Bah, não exagera Botan! Olha só, já terminou. – disse ele começando a subir os degraus perto da porta.
- É certo, se isso aqui é gigante imagina lá dentro...
Yusuke riu, eles estavam parados em frente à porta e Botan parecia querer estar em qualquer lugar, menos lá.
- Priminha, você deve estar pensando que o Minamino é daqueles mauricinhos metidos a besta não é?
- Não é? – perguntou Botan arquiando a sobrancelha, fazendo Yusuke rir mais.
- Claro que não, e além do mais ele nem mora aqui. Essa é só a festa que a mãe dele quis fazer, a festa dele já passou faz tempo.
- Então por que você está aqui se já foi na outra festa?
“Por causa da comida oras...” pensou Yusuke divertidamente, mas não podia dar mau exemplo para Botan, tinha que dar uma desculpa aceitável.
- Porque é um absurdo você não conhecer o Minamino, você conhece até o Hiei. – disse Yusuke tentando ao máximo não rir da própria desculpa.
Mas Botan pareceu aceitar, ainda olhando Yusuke estranho enquanto o primo apertava a campainha.
Não demorou quase nada para o mordomo abrir a porta.
- Senhor Urameshi, o senhor Minamino estava perguntando sobre o senhor há momentos atrás. – disse o senhor polidamente dando espaço para Yusuke e Botan entrarem.
- Fala pingüim! É mesmo, e onde ele está? – perguntou Yusuke olhando em volta
- Eu vou acha-lo, posso pegar a sua bolsa senhorita? – pelo visto o mordomo não tinha gostado muito de ser chamado de pingüim, mas não podia fazer nada já que Yusuke era amigo de Suuichi.
- Ta falando comigo? – perguntou Botan assustada pelo jeito que o mordomo a chamara
- Não vejo nenhuma outra dama neste aposento, senhorita. – respondeu ele um pouco ríspido
- Ah, certo. – Botan corou constrangida e entregou a bolsa para ele.
Ele desapareceu entrando em um cômodo. Yusuke pegou a mão de Botan e foi casa adentro.
- Yusuke, por que ta todo mundo me olhando? – perguntou Botan assustada
- Hã?
- Yusuke, a minha maquiagem ta borrada? – sussurrou Botan com urgência
- O que?
- Ai esquece... – “Preciso achar um banheiro...”.
- Ta bom. – “Droga, onde fica a cozinha mesmo?”.
- Yusuke a gente não deveria estar passeando por aí, essa não é a nossa casa. – disse Botan em tom de reprovação.
- Relaxa filha, eu só estou procurando o quintal, sem dúvida a festa é lá.
- Fala sério, você está procurando a comida não é, seu cachorro magro... – reprovou Botan sendo arrastada por Yusuke
Yusuke virou a cabeça para trás e sorriu, ele não viu a mulher à sua frente e acabou trombando nela, e é claro que os dois caíram no chão.
- Me desculpe eu não vi... – já ia dizendo Yusuke se ponde de pé e estendendo a mão para a mulher
- Não foi nada Yusuke. – sorriu a mulher aceitando a mão do rapaz
Foi quando Yusuke percebeu em quem ele havia trombado. Shiori ainda sorria para ele, como se nada de mais tivesse acontecido, apesar de Yusuke ter um olhar mortificado no rosto.
- Essa é a sua namorada? Keiko? – perguntou Shiori olhando para Botan amavelmente
- Que? Não! Essa é a minha prima Botan.
- Prazer, Botan Otoda. – disse Botan nervosamente estendendo a mão para Shiori
- Shiori Hatanaka. Sou a mãe do Suuichi. – disse ela apertando a mão de Botan
- Hatanaka? Achei que seu sobrenome fosse Minamino.
- E era, até eu me casar de novo. – disse Shiori sorrindo, soltando a mão de Botan.
- Senhora Hatanaka, a senhora viu o Suuichi? – perguntou Yusuke ainda constrangido por ter atropelado a mãe do amigo.
- Pare de me chamar de senhora. – riu Shiori – Da última vez que eu vi, ele estava lá fora tentando se livrar de alguns sócios do meu marido.
Botan sabia o que vinha a seguir, Yusuke forçaria Botan a conhecer aquele amigo dele, e depois já diria que eles faziam um belo par juntos. Ela precisava sair dali depressa.
- Ahn, onde fica o banheiro? – perguntou Botan depressa
- É a terceira porta a direita querida. – respondeu Shiori
Botan seguiu para o lugar que Shiori lhe apontara, recebendo o olhar de reprovação de Yusuke.
Nem bem ela virara no corredor onde ficava o banheiro, a voz de Yusuke se fez ser ouvida a meio quarteirão.
- SUUICHI! – gritou ele alto fazendo o rapaz se embaraçar quando todos olharam na direção dele, sua mãe apenas ria.
Botan achou a porta e entrou rápido, não queria que Yusuke a procurasse no banheiro. Olhou-se no espelho, não havia nada de errado na sua maquiagem, nem na sua roupa, ela estava ficando paranóica tinha que concordar com Yusuke. Suspirou, talvez fosse melhor passar o resto da festa trancada no banheiro. Mas a sorte não era tão boa assim, não com ela.
- Tem alguém aí dentro?!? – gritou um homem parecendo desesperado
- Tem. – respondeu Botan apreensiva
- Vai demorar muito? – perguntou o homem ainda mais desesperado
- Ahn, não, espera aí. – pediu ela sem saber se ria da situação ou se chorava.
Ela abriu a torneira apressada e fingiu estar lavando as mãos. Agarrou-se na toalha e saiu do banheiro rápida sem nem perceber quem era aquele que estava doido para entrar.
Botan finalmente percebeu que estava segurando a toalha, quando estava quase na porta para o quintal, Ela tentou voltar e devolver a toalha, mas a porta estava trancada e Botan teve a leve impressão de que não queria saber o que estava acontecendo lá dentro.
Conformada, ela e a toalha voltaram ao salão, agora um pouco mais vazio, Botan imaginou que todos estivessem do lado de fora.
Ela andava costeando as paredes, tentando esconder a toalha o que lhe renderiam constrangedoras explicações. Ela teve que parar perto de uma mesa que estava encostada na parede. Ela sorriu fingidamente quando um homem passou por ela, mas ele não pareceu nota-la. Botan suspirou e olhou para o chão, desanimada.
Foi quando a mais maravilhosa idéia lhe veio à mente, ela poderia muito bem jogar a porcaria da toalha embaixo da mesa certo? A toalha de mesa era grande e ia até o chão, quando percebessem ela já estaria muito longe dali. Contente com a idéia ela jogou a toalha para o lado, e junto com ela foi-se a pulseira de Botan.
O mundo pareceu parar no momento que em Botan viu um único fio enroscado em sua preciosa pulseira e levando-a para debaixo da mesa.
Sem pensar duas vezes a garota se abaixou e ficou de quatro para entrar embaixo da mesa. Ela esperava encontrar a toalha e a pulseira, mas achou muito mais que isso, embaixo da mesa também tinha alguém que estava se escondendo. Um garoto estava agachado de costas para Botan espiando o que estava acontecendo lá fora.
- Ei. – disse Botan se esquecendo da pulseira
O garoto levou um susto, ele pulou e acabou batendo a cabeça na mesa. Esfregando a cabeça ele se virou e olhou Botan.
- Você está bem? – perguntou ela sem saber se ria
- Estou. – ele se sentou, ainda esfregando o ponto doído. – O que está fazendo aqui?
Botan também se sentou e apontou a toalha próxima ao garoto. Ele a pegou e logo localizou o objeto preso nela, não era de se admirar, a toalha era daquelas felpudas.
- Toma. – disse ele lhe passando a pulseira.
- Obrigada. – Botan sentiu seu rosto aquecer, sorte que embaixo da mesa era meio escuro e o lugar onde ela estava era particularmente sombrio.
Afinal o que estava acontecendo com ela? Onde fora parar todo aquele nervosismo? Ela estava corada? Não, não podia ser, o garoto ruivo embaixo da mesa era bonito, ta certo, muito bonito, mas ainda assim, ela tinha namorado, tinha que se comportar.
O garoto esperou que ela fosse sair debaixo da mesa agora que tinha recuperado sua pulseira, mas ela não fez isso, ficou encarando ele com um olhar estranho.
- O que foi? – perguntou ele encarando ela de volta, seus olhos eram rosados, interessante.
- O que você está fazendo embaixo da mesa? – perguntou ela sem entender
Ele ficou mudo, a boca aberta esperando o cérebro funcionar e responder alguma coisa, o que estava demorando mais do que o necessário pra falar a verdade. Mas havia algo estranho naquela garota, ele simplesmente não queira mentir para ela.
- Estou fugindo da festa, na primeira oportunidade vou sair daqui. – fechou a resposta com um sorriso, que pareceu ser do agrado da moça.
- Então somos dois.
Botan foi até ele e se sentou ao seu lado.
- Me chamo Botan. – disse ela estendendo a mão
- Eu sou... Kurama. – ele a apertou.
Não era totalmente mentira, seus amigos o chamavam mais de Kurama do que de Suuichi, aquela era uma meia verdade. Mesmo assim, não gostou de ter escondido alguma coisa daqueles olhos.
- Kurama? – ela ficou pensativa
Kurama começou a suar frio pensando que talvez ela o estivesse reconhecendo.
- Que nome esquisito. – declarou ela rindo
Kurama respirou aliviado.
- É verdade.
- Tão esquisito quanto Suuichi. – comentou Botan ainda rindo
Kurama voltou a ficar nervoso, aquela garota era esperta, ela estava brincando com ele. Tinha que fazer alguma coisa senão ela poderia sair dali e dar com a língua nos dentes.
- Meu primo me trouxe pra esta festa pra eu conhecer o aniversariante, mas até agora não vi nem sombra dele. – disse Botan animada tentando colocar a pulseira
“Isso é porque ele está debaixo de uma mesa conversando com você...” pensou Kurama enquanto observava ela tentar fechar a pulseira, mas falhando em todas as tentativas.
- Posso? – perguntou ele apontando para a pulseira
- Ahn, por favor.
Botan estendeu a braço e pulseira, Kurama a colocou em volta de seu pulso e tentava ver o fecho, mas estava difícil com a má iluminação. Botan estava corada de novo, sentia as mãos do ruivo roçando em seu braço já todo arrepiado. Ele conseguiu, fechou a pulseira e soltou o braço de Botan. A garota ainda ficou um tempo com o braço parado, esperado que Kurama voltasse a tocar nela, mas, como isso não aconteceu, então ela recolheu o braço rapidamente.
- Então, é, quem é o seu primo? – perguntou Kurama tentando puxar assunto
- Yusuke Urameshi. – respondeu Botan automaticamente
- Ah, você é a prima dele? – “Então era ela que Yusuke falou que ia me apresentar hoje” – Ele fala muito bem de você.
- Você conhece o Yusuke?
- Claro, somos amigos.
Botan olhava para ele incrédula, não era que Yusuke não tivesse amigos, mas tirando o tal de Suuichi, ela nunca tinha visto Kurama e ela conhecia todos os amigos do primo.
- Mas vocês se conheceram agora não é?
- Agora? Não, já faz anos que eu conheço o Yusuke. – “Melhor parar de falar dele antes que Botan me ligue ao Suuichi”.
- Sério mesmo? Nossa.
Kurama ficou calado, assim como Botan, eles ficaram nesse silêncio desagradável até a dor nos pés de Botan ficar insuportável. Aquelas botas eram um verdadeiro martírio ortopédico, elas estavam comendo o pé de Botan aos poucos. Ela olhou na direção de Kurama, ele parecia estar com o olhar perdido tentando enxergar através da toalha de mesa. Muito a contra gosto Botan abriu o zíper e descalçou as botas, seus pés agradeceram.
O barulho do zíper chamou a atenção do ruivo, e quando ele viu, Botan estava massageando os pés doloridos ao seu lado.
- Sua meia é bonita. – comentou ele rindo
- Que? – ela olhou a própria meia com a cara dos Telettubies e sentiu seu rosto arder de humilhação. – Ah, isso...
- Não se preocupe, você não é a única. – disse Kurama pousando a mão em seu ombro tentando consola-la.
- Então você também tem meias dos Telettubies? – perguntou ela animada
- Ahn, não, mas eu tenho pantufas do Hamtaro, minha mãe achou bonitinho. – disse ele desgostoso.
Botan ficou um pouco mais feliz com aquilo, então ela não era a única a ter coisas humilhantes, melhor nem pensar no pijama de corações de Yusuke.
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